“JUSTIÇA”

 

E os olhos caminham desesperados

Correm de um lado a outro

A procura de algo que se esconde

pelos becos.

Tantos gestos vis!

Corpos destroçados e violentados

Vidas sucumbidas diante da marginalidade

Homens se digladiando diante da impunidade.

Que mundo é esse?

Onde já não somos donos de nós mesmos?!

E os valores são escorridos

Jogados na lata de lixo!

Fica então e somente o medo

Espalhado por todos os cantos

Trazendo consigo a desesperança

Os gritos sufocados

Pelos ouvidos tapados de tantos.

Enquanto isso tudo enlouquece

Estupros rasgam carnes tão cedo

Enquanto as drogas invadem as casas

Numa luta desesperada

Querendo fugir de si mesmo.

O amor perde terreno

Dando lugar a tantos interesses

Fica uma sede cada vez mais intensa

Enquanto os olhos vendados

Esquecem de cobrar o seu preço

Preferindo fingir sempre.

A escória cresce

A violência se abastece e

ganha soberba

Os corpos tombam sem pena e dó

Os fortes crescem a cada instante

Enquanto os fracos se recolhem

com medo.

Onde será que ficaram meus ais?

Quando será que serão ouvidos?

Como será o amanhã?

Se esse hoje já é um nada esquisito!

Porque tantos gritos calados

Diante de olhos que nunca vêem!

Um cansaço me toma

Diante desse descaso que se alastra

Trazendo consigo tantas marcas...

Corpos destruídos e usurpados

Mortes esquecidas

num estalar de dedos

 

 

 

 

Marcos Sergio T. Lopes

- 27/04/2008

 

 

 

Formatação/Rita Lopes