“A DANÇA DAS ESTAÇÕES”

 

E assim ela caminhou pelo dia frio

Com todos os verões que aqueceram sua vida

E as primaveras que floriram seus momentos.

Tudo havia passado de repente

E hoje só lhe restava esse inverno

Tão cheio de desamor.

Queria voltar no tempo

Trazer a juventude que se perdeu

Os tórridos momentos de amor.

Como se fosse possível!

Não existe retorno...

Só as lembranças dançando na sua frente.

Uma ausência sentida diante do vento frio

Que assola cada instante

Diante da carência que castiga sem piedade.

O corpo agora já se encontra arcado

As rugas se espalham no rosto

Fazendo um emaranhado de traços

Vincos que nunca sucumbem

Que nascem mais e mais.

Chora e sentem saudades

Não aceita essa “peça” que a vida lhe pregou.

Nada sobrou...

Apenas passos cambaleantes

Gestos tímidos e trêmulos

Uma vontade frustrada de sentir de novo

O doce gosto do amor.

Infelizmente a vida nem se importa

Vira-lhe as costas

Num gosto amargo que enche sua boca

Se negando a partir.

Deixa seu corpo caquético agora

Ficar estirado e sem reação

Num sinal patético de desistência

Numa recusa de aceitar

Esse resto que vida lhe presenteou.

 

Marcos Sergio T. Lopes

– 02/06/2008