“A CARTA”

(Parafraseando Álvaro de Campos)

 

Tantas esperas frustradas

Num coração que sentia tanto

Vivendo em tantos solavancos

Numa expectativa desandada

De receber traçadas num papel

A resposta de um amor

Que só silenciava.

Dias de agonia e esperança

De ver o carteiro chegar

E gritar que tua noticia chegou.

E o tempo que passava

E de você não dizia nada

Deixando essas incertezas

Que só fazia agonia em mim.

Tanto esperei

Que meu coração em comoção

Já nem mais acelerava

Quando sentia o carteiro passar.

A expectativa foi esvaindo

Já que acreditar não mais podia

Pelo descaso de nunca saber de ti.

A ansiedade foi escapando

Até que num dia

Que a espera já havia ido embora

O carteiro gritou meu nome.

Meu coração cansado se negou a acelerar

A emoção gritou sua negativa

Já não estava aflito.

Olhei sem desvelo a carta na mão

Já não me apetecia saber de ti

Melhor rasgar...

Não sorrir nem chorar.

Cansei de esperar...

 

Marcos Sergio T. Lopes – 02/04/2009